Resenhas





Sinopse:
Leona Montgomery foi criada na China. Com pai inglês e mãe portuguesa, aprendeu desde cedo a se adaptar aos costumes de outras terras e adquiriu uma cultura e uma sofisticação incomuns às mulheres de seu tempo.
Por isso, quando o pai, já viúvo, morreu, deixando os dois filhos em uma situação financeira difícil, Leona assumiu os cuidados do irmão caçula e os negócios da família.
Trabalhando pela recuperação da Montgomery & Tavares, ela viajou por diversos países, negociou com homens rudes e enfrentou piratas. Recém-chegada a Londres, agora espera fechar parcerias comerciais e dar sequência a uma investigação que o pai não pôde concluir.
Mas estar em Londres significa algo mais. Sete anos atrás, Edmund, um naturalista inglês, deixou Macau à noite, depois de um beijo de despedida que Leona nunca esqueceu, e retornou à Inglaterra.
O que Leona não poderia imaginar era que Edmund na verdade é Christian Rothwell, o marquês de Easterbrook, um homem poderoso envolto em mistérios – e que talvez se beneficiasse com o fim das investigações de seu pai. Dividida entre o dever e a tentação, é na cama do marquês que ela fará suas maiores descobertas.


Bom, no último livro da série finalmente matei a minha curiosidade sobre o misterioso Christian, por que sério, eu estava realmente interessada em ler o livro da sua história, mas vamos lá... 
Leona Montgomery (protagonista), filha de um comerciante naval, inglês, e uma dama portuguesa, foi criada na China, um local com costumes completamente diferentes da Inglaterra. Há sete anos atrás, na cidade de Macau, ela conheceu Edmund, um homem diferente e rodeado de mistérios, e mesmo noiva ela acaba se envolvendo em romance com esse estrangeiro. Com alguns acontecimentos inesperados, Leona e Edmund são obrigados a se separar, mas o destino tem outros planos...

Com a morte de seu pai e com os negócios da família em crise (por conta de alguns roubos de mercadoria), Leona então, começa a  gerenciar a empresa, e a partir disso descobre crimes e mistérios envolvendo a Companhia das Índias Orientais. Para descobrir quem estaria por tras da falência de seu pai, ela resolve embarcar para a Inglaterra, com as suspeitas de que homens da nobreza inglesa estariam envolvidos nos crimes. Masssss o que a nossa protagonista não esperava, era encontrar o homem que havia roubado seu coração há sete anos atrás, e ainda descobrir que Edmund era na verdade o marquês de Easterbook.... Irritada, insegura e  cheia de desconfianças, Leona percebe que 7 anos não foram suficientes para aplacar a atração entre o dois.

Para quem já leu os livros anteriores da série, sabe que Christian possui o excêntrico dom de sentir claramente os sentimentos alheios, o que na opinião dele seria uma maldição. A mãe do protagonista possuía o mesmo legado, e por consequência acaba vivendo de forma isolada da sociedade. Atormentado por essa maldição o marquês também desenvolve hábitos que o isolam da sociedade londrina, mas a chegada de Leona trás uma reviravolta e lembranças de um amor não esquecido... 
O reencontro dos dois é marcado por mágoas, medo e lembranças de um amor tórrido, mas  Christian está disposto a usar todas as suas armas de sedução para reconquistar Leona. Desconfiada e com o coração partido, será que ela ainda é capaz de perdoá-lo??

Desde o início da trama a química entre os personagens é muito forte (suspirei em muitos momentos rsrs), o que te faz ficar ainda mais presa a história e como se não bastasse, o livro é também cheio de mistério tornando tudo muito mais interessante. Gente de longe, o Christian é o meu personagem preferido da série... Mais uma vez Madeline Hunter não me decepciona.


O Conto da Aia



Sinopse: Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump. Em meio a todo este burburinho, O conto da aia volta às prateleiras com nova capa, assinada pelo artista Laurindo Feliciano.

No Conto da Aia, caminhamos pela República de Gilead, um Estado Teocrático que se formou no território dos Estados Unidos da América após conflitos armados e o radicalismo cristão. Acompanhamos a história através dos olhos de Offred, uma aia que conta a sua vida rotineira dentro da casa de seu Comandante assim como seu passado relembrando sempre da filha e do marido. 

A narrativa de Offred, seus medos e anseios, se entrelaça com a própria história de Gilead. É através de seus relatos que percebemos as crises pelas quais os Estados Unidos passaram (como a baixa taxa de natalidade) que deram espaço para o radicalismo teocrático colocando minorias em papeis de submissão e opressão.

Interessante perceber como já em 1985, Margaret Atwood se faz extremamente atual. O grande trunfo de Atwood não é necessariamente descrever essa sociedade distópica e assustadora, mas perceber como na década de 1980 os temas abordados no livro eram relevantes e presentes. 

Comparando historicamente com eventos do mundo real, a autora se inspirou muito na Revolução Islâmica de 1979 que mudou completamente o Irã e o tornou, também, um Estado Teocrático. No entanto, a autora em toda a sua habilidade, consegue demonstrar que este tipo de subversão do Estado Democrático é tema recorrente na história do Ocidente e até mesmo nos dias atuais sempre voltamos a esta ascensão do autoritarismo, da militarização e da religião como única salvação para uma sociedade deturpada.
Um dos elementos mais marcantes de toda a narrativa é a posição das mulheres dentro da sociedade. Temos as Esposas, tecnicamente aquelas com maior poderio dentro da hierarquia; as Aias, que possuem a função exclusiva de gestar um filho e para isso sofrem estupros mensais validados por escritos religiosos; as Tias, que ajudam na manutenção do poder justamente daqueles que oprimem as mulheres; e as Marthas, que são resumidas às funções doméstica. O interessante de se notar é que, apesar de uma escala hierárquica, é quase como se a mesma não existisse. Algumas mulheres possuem uma relação de poder maior frente às outras, mas no final, todas são resumidas à submissão e a opressão do Estado revelando que em regimes autoritários existe uma manutenção perversa do poder em que oprimidos não percebem a própria opressão. 

Offred nada mais é do que a nossa janela para a compreensão de como esses regimes funcionam e como eles alteram profundamente o nosso funcionamento psicológico e emocional nos cerceando de liberdade. Em uma história ficcional e distópica criada por Margaret Atwood esses temas nunca pareceram tão reais e atuais e a maestria com as palavras e narrativa da autora nos traz um alerta sobre como direitos podem facilmente serem perdidos. 

Justamente por isso, Simone de Beauvoir dialoga tanto com Atwood quando diz: “Nunca se esqueça que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilantes durante toda a sua vida



E aí o que vocês acharam do livro? Comenta aqui embaixo...

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